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sexta-feira, 4 de julho de 2014

O novo valor de uma dona de casa

 
    
 
    
Um homem chegou em casa, após o trabalho, e encontrou seus três filhos brincando do lado de fora, ainda vestindo pijamas.  
   Estavam sujos de terra, cercados por embalagens vazias de comida entregue em casa.  
   A porta do carro da sua esposa estava aberta. 
 

   A porta da frente da casa também. 
 

   O cachorro estava sumido, não veio recebê-lo. 
 

   Enquanto ele entrava em casa, achava mais e mais bagunça. 
 

   A lâmpada da sala estava queimada, o tapete estava enrolado e encostado na parede.  
   Na sala de estar, a televisão ligada berros num desenho animado  qualquer, e o chão estava atulhado de brinquedos e roupas espalhadas.  
   Na cozinha, a pia estava transbordando de pratos; ainda havia café da manhã na mesa, a geladeira estava aberta, tinha comida de cachorro no   chão e até um copo quebrado em cima do balcão.  
  Sem contar que tinha um montinho de areia perto da porta. 
 

 Assustado, ele subiu correndo as escadas, desviando dos  brinquedos espalhados e de peças de roupa suja.  
    'Será que a minha mulher passou mal?' ele pensou. 
 

    'Será que alguma coisa grave aconteceu?' 
 

  Daí ele viu um fio de água correndo pelo chão, vindo do banheiro. 
 

  Lá ele encontrou mais brinquedos no chão, toalhas ensopadas,sabonete líquido espalhado por toda parte e muito papel higiênico na pia.  
 A pasta de dente tinha sido usada e deixada aberta e a banheira transbordando água e espuma.  
 Finalmente, ao entrar no quarto de casal, ele encontrou sua mulher ainda de pijama, na cama, deitada e lendo uma revista.  
 Ele olhou para ela completamente confuso, e perguntou: Que diabos aconteceu aqui em casa?  
 Por que toda essa bagunça? 
 

 Ela sorriu e disse: 
 

    - Todo dia, quando você chega do trabalho, me   pergunta: 
 
   
 '- Afinal de contas, o que você fez o dia inteiro dentro de casa?'      
 -'Bem... Hoje eu não fiz nada, FOFO!

                                                            Foto retirada da internet
No outro dia o FOFO e mulher telefonaram para uma agência de empregos, onde 
encontraram uma (ou talvez tenha sido um) excelente profissional para tratar 
das tarefas domésticas.
A mulher, por sua vez, aceitou aquele emprego que há tempos recusava porque 
achava que só tinha duas alternativas na vida (trabalho doméstico não remunerado ou leitura 
improdutiva de revistas).Hoje ela tem uma carreira bem sucedida, mais tempo para ela
 mesma e a casa sempre arrumada quando ela chega do trabalho. Com os filhos, o tempo
 pode ter diminuído, mas qualidade aumentou. Agora vão ao cinema, à praia, leêm livros
 juntos, uma farra! E o FOFO? Ah, o FOFO está muito feliz, agora ele tem uma companheira 
realizada ao seu lado e a vida não poderia estar melhor. Claro que teve aquela fase em que 
ele teve que passar uns dias na casa da mãe porque sofreu um ataque de machismo e 
precisou ficar de quarentena. Mas ele se cuidou, superou e agora está tudo bem. 
Uma história perfeita!!!

A parte destacada do texto foi escrita por  Larissa Latif,  ficou excelente...ficou 
perfeita!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Para ler e gostar: Fernando Pessoa


Presságio

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

sábado, 28 de junho de 2014

Para ler e gostar: João Guimarães Rosa






"As coisas assim a gente não perde nem abarca. Cabem é no brilho da noite. Aragem do sagrado. Absolutas estrelas"

terça-feira, 24 de junho de 2014

Para ler e gostar de Aretha Marcos




Mora no silêncio
Todas as palavras douradas
De passos iluminados
De um desejo profundo
De melhor inspirar o mundo
O amor é brincadeira
De um coração grande
De pessoa entregue e verdadeira
Minha arte se derrete na sutileza do sonhar
No sentir
De outro coração pulsar
Meu estômago dói na alegria de saber
Que meu tesão é ascender

Para ler e gostar: Cora Coralina



Antiguidades
Quando eu era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela
com um testo de borralho em cima.
Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.)
Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso.
A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância.
Com atenção. Seriamente.
Eu presente.
Com vontade de comer o bolo todo.
Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro.
Minha irmão mais velha
governava. Regrava.
Me dava uma fatia,
tão fina, tão delgada…
E fatias iguais às outras manas.
E que ninguém pedisse mais !
E o bolo inteiro,
quase intangível,
se guardava bem guardado,
com cuidado,
num armário, alto, fechado,
impossível.
Era aquilo, uma coisa de respeito.
Não pra ser comido
assim, sem mais nem menos.
Destinava-se às visitas da noite,
certas ou imprevistas.
Detestadas da meninada.
Criança, no meu tempo de criança,
não valia mesmo nada.
A gente grande da casa
usava e abusava
de pretensos direitos
de educação.
Por dá-cá-aquela-palha,
ralhos e beliscão.
Palmatória e chineladas
não faltavam.
Quando não,
sentada no canto de castigo
fazendo trancinhas,
amarrando abrolhos.
“Tomando propósito”.
Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela gente antiga,
passadiça, era assim:
severa, ralhadeira.
Não poupava as crianças.
Mas, as visitas…
- Valha-me Deus !…
As visitas…
Como eram queridas,
recebidas, estimadas,
conceituadas, agradadas!
Era gente superenjoada.
Solene, empertigada.
De velhas conversar
que davam sono.
Antiguidades…
Até os nomes, que não se percam:
D. Aninha com Seu Quinquim.
D. Milécia, sempre às voltas
com receitas de bolo, assuntos
de licores e pudins.
D. Benedita com sua filha Lili.
D. Benedita – alta, magrinha.
Lili – baixota, gordinha.
Puxava de uma perna e fazia crochê.
E, diziam dela línguas viperinas:
“- Lili é a bengala de D. Benedita”.
Mestre Quina, D. Luisalves,
Saninha de Bili, Sá Mônica.
Gente do Cônego Padre Pio.
D. Joaquina Amâncio…
Dessa então me lembro bem.
Era amiga do peito de minha bisavó.
Aparecia em nossa casa
quando o relógio dos frades
tinha já marcado 9 horas
e a corneta do quartel, tocado silêncio.
E só se ia quando o galo cantava.
O pessoal da casa,
como era de bom-tom,
se revezava fazendo sala.
Rendidos de sono, davam o fora.
No fim, só ficava mesmo, firme,
minha bisavó.

Cega de um olho.
Gostava de flores e de vestido novo.
Tinha seu dinheiro de contado.
Grossas contas de ouro
no pescoço.
Anéis pelos dedos.
Bichas nas orelhas.
Pitava na palha.
Cheirava rapé.
E era de Paracatu.
O sobrinho que a acompanhava,
enquanto a tia conversava
contando “causos” infindáveis,
dormia estirado
no banco da varanda.
Eu fazia força de ficar acordada
esperando a descida certa
do bolo
encerrado no armário alto.
E quando este aparecia,
vencida pelo sono já dormia.
E sonhava com o imenso armário
cheio de grandes bolos
ao meu alcance.
De manhã cedo
quando acordava,
estremunhada,
com a boca amarga,
- ai de mim -
via com tristeza,
sobre a mesa:
xícaras sujas de café,
pontas queimadas de cigarro.
O prato vazio, onde esteve o bolo,
e um cheiro enjoado de rapé.D. Joaquina era uma velha
grossa, rombuda, aparatosa.
Esquisita.
Demorona.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Para ler e gostar: Carlos Drummond de Andrade


                                      Quadrilha


João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Para ler e gostar: Mario de Andrade

TENTAÇÃO
Eu fechei os meus lábios para a vida
E a ninguém beijo mais, meus lábios são,
Como astros frios que, com a luz perdida,
Rolam de caos em caos na escuridão.

Não que a alma tenha já desiludida
Ou me faleçam os desejos, não!
O que outrem prejulgava uma descida,
É subir para mim, elevação!

Vejo o calvário por que anseio, vejo
O Madeiro sublime, "Glórias" ouço,
E subo! A terra geme... eu paro. (É um beijo.)

A moita bole... Eu tremo. (É um corpo.) Oh Cruz,
Como estás longe ainda! E eu sou tão moço!
E em derredor de mim tudo seduz!...